Trapaça – American Hustle, David O. Russel [2013]

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Trapaça soa bastante caricato e beirando um pouco ao ridículo pela falta de sutilidade ao retratar uma trama inspirada em fatos reais. O cenário de época é incorporado com atuações competentes, figurinos marcantes e um tanto artificiais e uma trilha sonora com causalidade de circunstâncias acidentais a todo o momento.

O filme funciona bem e soa divertido o suficiente, pois se trata de uma história bastante curiosa, com senso de humor e protagonistas instigantes exercendo uma espécie de homenagem ao estilo de filmes mafiosos meio Scorsese meio De Palma, mesmo que se voltando à marca autoral de David O. Russell, lembrando muito seu filme “O Lado Bom da Vida”, pela forma como as câmeras são posicionadas.

A polêmica com o grande número de indicações ao Oscar não faz do filme o melhor indicado, só causou comentários por todos os atores exercitaram o papel acima da média. Amy Adams que é uma das atrizes mais carismáticas do momento, ganhou destaque como em nenhum filme em que me recordo, Bradley Cooper passa para o “next level” de ator sério, mas nada que impressione, o sempre apto Bale está muito bem incorporado na pele de Irving, mas não fez nada novo, o Jeremy Renner continua sem me arrancar suspiros e a Jennifer Lawrence foi muito mal escalada, mas fez o que pôde, O. Russel comentou em entrevista que ela estava fazendo um favor quando aceitou o papel, é evidente que ela é bastante jovem para o papel e às vezes não levamos a sério por tamanha irregularidade, no entanto idealizou uma mulher incontrolável bastante agradável de assistirmos, mesmo que ela se pareça mais Lawrence do que Rosalyn.

Apesar das ótimas atuações, nenhuma merece tanto o prêmio como os demais indicados os quais estão concorrendo na categoria melhor filme. É um bom filme, fiquei meio chateada com o excesso de informação, são muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo de forma incômoda, confunde e cansa, mas entretém satisfatoriamente em meio a tantas perucas.

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O Lobo de Wall Street – The Wolf of Wall Street, Martin Scorsese [2013]

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Esse filme me causou mais repulsa que Pink Flamingos e Centopeia Humana foram capazes, é uma crítica ao retrato depravado de machos que se acham os donos do mundo e levam um estilo de vida regado a infantilidades, sexo mascu, mulheres como troféus, drogas e ganância.

É o quinto filme da parceria Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese e o que soou melhor dentre os já realizados, se consolidando como o ápice do trabalho conjunto deles e tendo minha torcida para o prêmio de melhor filme indicado ao Oscar pelo conjunto da obra: direção de Scorsese + produção do Leo + roteiro de Terence Winter, mas em sério risco de ser o injustiçado por causar efeitos errados ao público.

Demorei a cair nas graças do filme, no início eu não conseguia rir, pois fiquei embasbacada com a forma absurda como o personagem do DiCaprio encarava mulheres apenas como objetos com a única utilidade de satisfazê-lo sexualmente. Bem, depois a piada se encaixa e o filme deixa claro que estavam retratando de forma satírica pessoas desprezíveis que mais se assemelham a piadas e logo você passa a “rir dos personagens” e não “rir com os personagens”, o que obviamente não vai servir para muitos babacas de caráter falho que cairão nas graças dos operadores trambiqueiros da bolsa de valores e logo se identificarão com o filme pelos motivos errados, considerando Belfort um verdadeiro herói.

Leo DiCaprio já demonstra competência e mérito para ser oscarizado há tanto tempo que soa redundante dizer que dessa vez a espera acabou, que ele finalmente vai levar o prêmio de melhor ator e não vai deixar de agradecer à Kate (hahaha). Ok, ele está melhor a cada filme e se supera neste como nunca, não é o meu preferido para o prêmio, mas de forma alguma me oponho a dar o prêmio a DiCaprio. Ele já havia provado seu dom em interpretar um inescrupuloso como Calvin em “Django Livre” e um cínico como Abagnale em “Prenda-me se for capaz”, já com Jordan Belfort, ele está totalmente desprovido de dignidade, uma verdadeira escória, junto de Jonah Hill e mais uma palhinha de roubar a cena do queridão-do-momento Matthew McCounaghey, formando um excesso nojento e repugnante de testosterona.

Mas o melhor do filme é que é muito gratificante saber que Martin Scorsese aos 70 e poucos continua fonte de talento inesgotável e voltando em sua melhor forma, o Leonardo é só um detalhe.

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12 anos de escravidão – 12 years a slave, Steve McQueen [2013]

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Estive enganada subestimando o quanto apreciaria o filme achando que a temática já estivesse “manjada” para o momento, pois muito recentemente tivemos Preciosa, Histórias Cruzadas, Django Livre, Obsessão e Lincoln, mas felizmente esse filme me lembrou do quanto ele é necessário e o quanto o tema deve ser retratado mais e mais vezes para que sejamos lembrados que temos tudo a ver com o racismo, no qual podemos não estar sujeitos por termos tido privilégios.

É um filme muito triste, mas necessário, terminei de assistir e lembrei-me do quanto queria que o mundo funcionasse como as fantasias do Tarantino onde Django e Brumilda saem ilesos e fazendo justiça a todos os escravos negros, onde Hitler e importantes líderes nazistas são incendiados em um cinema e onde mulheres se juntam e eliminam um sujeito “mascu” e temperamental como em “À prova de morte”. Mas não, o mundo não é assim e está muito longe de ser, engana-se quem pensa o contrário e “12 anos de escravidão” não eufemiza em retratar esse mundo, o mundo real, de 120 anos atrás, mas com sequelas que perpetuam até os dias de hoje.

O filme me deixou ainda mais envergonhada com a trajetória de caráter nocivo dos brancos opressores e mesmo não trazendo nada novo relacionado a barbáries cometidas com escravos, ganha mérito por focar no lado psicológico do personagem principal em sua experiência ao ser submetido a torturas dolorosas em que não esperava vivenciar por acreditar exercer sua livre cidadania. Interessante quando Solomon desperta acorrentado e tem apenas um pequeno episódio em que resiste à condição imposta, depois ele acaba percebendo que nunca esteve de fato livre, pois sempre foi visto como inferior por ser negro e acaba inconformadamente conformado se agarrando ao que lhe resta, a luta por sua sobrevivência.

Outro destaque para o filme é a novata Lupita Nyong’o, que nos conduz a condição de opressão que vai além: a de mulher e de escrava. O que me lembrou dos ensinamentos da maravilhosa Simone de Beavouir, que explica que o senhor e o escravo estão unidos por uma necessidade econômica e que o homem e a mulher estão ligados por uma necessidade fisiológica. O escravo ao se libertar do senhor pode muito bem viver no mundo sem depender deste, assim que seus medos são superados e sua autonomia é conquistada. Já a mulher, na condição de oprimida, está ligada ao homem por uma necessidade da espécie, não poderá estar no mundo sem coexistir com o homem, estando destinada a depender de seu opressor.

Sendo assim, Patsey é submetida a uma dupla inferiorização, a moça vive o dilema de ceder aos favores de seu senhor por tratá-la com favoritismos bem intencionados (opção que lhe é bem ofertada quando mostra uma senhora ex-escrava que escolheu por ter uma boa vida ao lado do senhor seu dono, aconselhando Patsey a fazer o mesmo) e a culpabilização que sua senhora faz com acusações moralistas de que a escrava esteja seduzindo seu esposo.

No entanto, amordaçada pela dor de viver em tamanha opressão, parece evidente que Patsey prefere ser tratada como as demais escravas a estar cercada pelos caprichos de seu dono, ser vítima do patriarcado é para ela ainda mais terrível que sofrer as comuns barbáries da escravidão. Michael Fassbender (só mesmo um ator equilibrado para interpretar tão bem um personagem desequilibrado) está a cara do paternalismo, interpreta o sádico senhor que acredita veemente estar atuando em nome de Deus como diz na Bíblia e se acha merecedor e dono de Patsey em overdose.

O filme ainda tem a trilha do Hans Zimmer como se a angústia embelezada pela melancolia não fosse o suficiente e peca apenas com o mal escalado Brad Pitt. Torço por Lupita para atriz coadjuvante, além de ser uma atriz promissora, suas concorrentes terão mais oportunidades em Hollywood, essa seria “a chance dela” e também uma grande conquista para as mulheres negras tão pouco lembradas pela academia. Acredito que a mensagem final desse magnífico filme reforça um apelo à humanidade para que essas atrocidades sejam repensadas e nos lembremos de que temos muito a ver com cada chibatada de cada açoitamento brutalmente exercido durante anos.

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Woody Allen: é possível separar o gênio do agressor?

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Muito vem me incomodando a quantidade de argumentos usados para inocentar o Woody Allen das acusações de abuso à Dylan Farrow, enfatizadas em carta aberta ao público devido à última cerimônia do Globo de Ouro, na qual o diretor foi homenageado.

Eu já conhecia a história do Woody Allen e da Mia Farrow, mas pra muita gente isso é novidade, então já o via com os mesmos olhos que o vejo hoje: não é meu diretor preferido, mas o considero um gênio, sua obra é impecável, mas infelizmente ele não deixa de ser em minha opinião um monstro repugnante. Não tenho provas de que ele realmente molestou a filha, não tenho, óbvio que posso estar errada, mas tenho o direito de acreditar em um dos lados, e prefiro acreditar que ele não é inocente, prefiro acreditar na palavra de uma criança de 7 anos e hoje mais ainda acredito na palavra de uma mulher que corrobora que desenvolveu distúrbios devido ao terrível trauma que sofreu quando nem mesmo “se entendia por gente”.

Gostaria de dizer que não acho justo que Mia, Ronan e Dylan tenham culpado a indústria cinematográfica, os atores, fãs e colegas de trabalho de Woody, eles realmente não têm absolutamente nada a ver com as acusações, mas os entendo muito bem. Eu os entendo, pois me coloco no lugar de uma mulher que passou por isso e dos familiares dessa mulher, que foi abusada dessa forma e imagino-a e seus familiares tendo que ver o rosto do abusador em todos os lugares, de vê-lo em cartazes, na TV, influenciando gerações, recebendo prêmios e menções honrosas ao redor do mundo. Se já é difícil para quem já foi vítima comumente de pedofilia, imagina pra quem foi vítima de pedofilia de uma das maiores personalidades do planeta?

Sei que o meu veredito não importa, mas eu gostaria que as pessoas deixassem o “artista” de lado e refletissem um pouco no lado menos privilegiado da história. De quem é a voz? Quem tem maior poder? Um homem inquestionavelmente adorado e bem sucedido ou uma mulher de identidade pouco notória?

Será que o relato de uma criança que realmente diz ter sofrido abuso é tão dispensável para que ignorássemos tudo e preferíssemos confiar apenas na não comprovação judicial ocorrida na época? Dizer que foi abusada na sala, no quarto, no banheiro, assistindo TV, fazendo a tarefa escolar, faz sim, todo o sentido. Mas como se prova isso? É a palavra do agressor contra a da agredida, simples assim. E mais uma vez, quem tem a voz da verdade nessa história toda em meio a uma sociedade que constantemente culpabiliza a vítima de estupro pelo abuso sofrido por ela?

Acho que muitas pessoas estão delimitando as coisas por demais. Pessoas ruins são capazes de realizar feitos maravilhosos e obras geniais da mesma forma que pessoas boas são péssimas quando tentam pintar, escrever, atuar ou simplesmente arrumar o cadarço do tênis. O agressor pode ser seu melhor amigo assim como pode ser seu respeitado diretor inatingível. São seres racionais, pessoas inteligentes e interessantes que fazem isso, não sei porque fazem, mas fazem. Isso não as muda como inteligentes e respeitáveis. Se a gente for pensar que agressores são apenas pessoas descompensadas, transtornadas, verdadeiros “monstros”, estamos lascados, o agressor também pode ser quem a gente ama. E nem por isso vamos deixar de amar, o que fazer com esse amor que ainda sentimos é que é o caso.

Sei bem que é muito difícil separar o artista da pessoa, em alguns casos eu consigo e em outros nem tanto. Como comentou a cantora Marina aka “Marina and the Diamonds” no twitter recentemente, “quem pode resistir ao deleite de bons filmes ou boas músicas?” Cada um sabe dos fatos e cabe a cada um decidir se prefere trabalhar ou não com um estuprador, se prefere homenagear ou não um estuprador. E se eu aplaudir o Woody Allen será que não estou ignorando todas as pessoas que já sofreram abuso sexual? Eis a questão. Mas não julgo a Diane Keaton ou Cate Blanchett, por exemplo, sei que elas devem ter os seus motivos que podem ser inúmeros.

Em casos de estupro e pedofilia eu sinto em dizer, mas não posso ignorar que o magnífico diretor de Manhattan também é (ou pode ser) um inescrupuloso pedófilo que abusou da própria filha (Sim, apesar de não adotada por ele, ele era a figura paterna para ela). Nem deixo de ignorar o fato de que homens têm mais respaldo na sociedade. E nem ignoro as estatísticas de que é quase sempre improvável que alguém acusado de abuso sexual seja inocente, quando comprovado, mesmo que saindo ileso de cumprir a pena. Não deixarei de ver e quase sempre admirar os filmes de Allen, nesse caso eu quase consigo separar o artista do abusador, mas não nego, eu infelizmente fico com gosto amargo na boca quando lembro que tudo foi feito por uma pessoa horrível. Ou não, repito, meu veredito não importa. O que parece importar é o poder do opressor, mas ouvir o que Dylan Farrow tem a dizer não lhe parece importante?

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I recommend biting off more than you can chew

Em certo momento da minha vida, percebi que eu tinha que me manter vigilante com as coisas que vinham acontecendo a minha volta e notei como tudo muda quando a gente deixa de jogar no nível “easy” e passa a ter esse tipo de percepção. Então, sem entrar em detalhes, involuntariamente adotei a postura de me manter atenta, aprendi muita coisa entre o muito que deixei passar. Apurando algumas das lições que pude absorver de uns tempos pra cá, eis que citarei algumas.

Aprendi que temos que ir a escola, chegar na hora, ouvir o professor, almoçar ao meio-dia, dormir cedo, acordar cedo, aprendi a diferenciar o certo do errado, a procurar pelas respostas certas, aprendi que o certo estava nos livros, aprendi a discordar.

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Também aprendi a entrar na linha, a se portar como “uma mocinha”, que uma mocinha senta sempre com as pernas fechadas, aprendi a discordar mais ainda. Descobri que nada me tirava mais do sério do que alguém me pedindo pra fechar a porra das pernas e dizendo que eu só tinha essa opção, sentar daquela forma e que ela era adequada, não tinha descoberto ainda o porquê, ser “uma mocinha” não justificava pra mim, daí eu ficava completamente aporrinhada e fazia questão de fazer o contrário, discordando mais ainda. Então, aprendi toda a estruturação que separava meninos de meninas: gênero, idade, turmas, capa do caderno, cor da mochila, saia, sapatos, azul, rosa, boneca, carrinho.

Aprendi entre outras que as meninas devem estar sempre sorrindo e sendo agradáveis e que se por acaso os meninos são agressivos e agitados, tudo bem porque é “da natureza” dos meninos serem assim. Aprendi que tudo já vinha pronto e que cabia a cada um de nós aceitar, mas ainda assim, discordei.

Pude aprender muita coisa, agradecida, pude mesmo, o que me levou a mais discordâncias e descobertas. Minha mais recente descoberta, originada de mais uma discordância, vem me entristecendo, me cansando, mas tudo bem, faz parte de mim isso de se sentir desconfortável a cada nova descoberta, faz parte dessa minha vigilância que sem querer querendo tive que adotar, este inconveniente sem fim.

Descobri que em uma roda com cerca de mais ou menos 10 pessoas, se eu tocar no assunto em que mulheres e negros continuam ganhando menos que os homens cis brancos, por exemplo, pelo menos 08 vão olhar torto pra pessoa torta que sou eu, ao levantar meu inconveniente.

Discordando eu pude conhecer muito das pessoas, e essa é a pior parte da história, conhecer as pessoas nem sempre pode ser doce. Aprendi que as pessoas têm mais ego do que ideias e assim descobri que a vida não é doce como fui orientada quase sempre que seria.

Não aprendi a dar um jeito nos começos sem rumo, ainda hoje tenho uns 20 começos sem rumo em minha vida, coisas que fui empurrando com a barriga e até hoje me cobro de que devo finalizar, outras que já dou como superadas mesmo sem desfecho.

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Também não aprendi como determinar a chatice das coisas, das pessoas, dos assuntos. Porque chata é a pessoa que defende e luta por direitos, mas não é chato quem diz que você até pode defender direitos, mas não pode defender demais, “não pode levantar bandeira” porque aí você é chato. É chata a pessoa que posta em sua própria rede social a foto da sua cara feia, mas não é chata a pessoa reclamando da cara feia da pessoa e ainda assim continuar seguindo ela pra ver mais cara feia e ficar se lambuzando na mesma merda sempre. É chata a pessoa que prefere não seguir uma doutrina religiosa, mas não é chata a pessoa diz seguir tal doutrina, mas na prática comporta-se como um verdadeiro cretino.

Aprendi que as coisas são assim, mas não entendo. Porque se as coisas são assim como as pessoas insistem que têm de ser e não precisa mudar nada, então evoluímos até os dias de hoje pra nada? O sujeito ou a sujeita lá dos primórdios poliu pedra e inventou roda a toa? Então vamos parar agora pois já evoluímos demais e agora daremos um basta nisso pois o que os antepassados fizeram já foi suficientes e agora devemos nos acomodar e aceitar as coisas como ainda são?

Aprendi mas não entendi. Aprendi a aprender. Aprendi a aceitar e fingir que aprendi. Aprender é diferente de entender e aprender nem sempre é aprender de verdade, pois você tem que de fato entender pra aprender de verdade, do contrário você só vai tá reproduzindo mecanicamente sem ter aprendido absolutamente nada. E seria isso o que tenho feito desde os tempos de escola?

Aprendizagem ou não, tudo isso que a vida engatou foi ponte pra que eu parasse pra ver com clareza as coisas além do meu mundinho limitado e mesmo que fora dele tudo seja mais difícil eu pudesse me permitir continuar vendo o lado esquerdo não privilegiado desse conto todo chamado realidade e persistisse em estar nele reivindicando pela mudança do que foi construído pelo outro lado como sagrado. Pois sagrado é tudo o que eu resolvi combater, pois se o sagrado é intocável, não pode ser modificado e se não é mutável de que vale aprender tudo isso?

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Melhores álbuns internacionais de 2013

 

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01. Justin Timberlake – 20/20 Experience

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02. Major Lazer – Free The Universe

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03. M.I.A. – Matangi

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04. Tegan and Sara – Heartthrob

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05. HAIM – Days Are Gone

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06. Birdy – Fire Within

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07. City and Colour – The Hurry and the Harm

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08. Daft Punk – Random Access Memories

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09. David Bowie – The Next Day

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10. Bastille – Bad Blood

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11. Little Mix – Salute
12. Macklemore & Ryan Lewis – The Heist
13. Disclosure – Settle
14. Everything Everything – Arc
15. Drake – Nothing Was The Same
16. Chistopher Owens – Lysandre
17. James Blake – Overgrown
18. Chvrches – The Bones Of What You Believe
19. Kanye West – Yeezus
20. Selena Gomez – Stars Dance
21. Ariana Grande – Yours Truly
23. Tom Odell – Long Way Down
24. Zedd – Clarity
25. Natalia Kills – Trouble
26. New Order – Lost Sirens
27. Cut Copy – Free Your Mind
28. Paramore – Paramore
29. AlunaGeorge – Body Music
30. Avicii – True
31. James Arthur – James Arthur
32. Jay-Z – Magna Carta…Holy Grail
33. Ellie Goulding – Halcyon Days
34. Miley Cyrus – Bangerz
35. Sara Bareilles – The Blessed Unrest
36. One Direction – Midnight Memories
37. MS MR – Secondhand Rapture
38. Janelle Monáe – The Eletric Lady
39. Phoenix – Bankrupt!
40. The Knife – Shaking the Habitual
41. Ciara – Ciara
42. Twenty one Pilots – Vessel
43. Arcade Fire – Reflektor
44, KT Tunstall – Invisible Empire Crescent Moon
45. The Naked and Famous – In Rolling Waves
46. Capital Cities – In A Tidal Wave Of Mystery
47. Robbie Williams – Swing Both Ways
48. Sky Ferreira – Night Time, My Time
49. London Grammar – If You Wait
50. Austra – Olympia
51. Katy Perry – PRISM
52. Laura Mvula – Sing To The Moon
53. Lorde – Pure Heroine
54. Paul McCartney – NEW
55. She & Him – Volume 3
56. Sleigh Bells – Bitter Rivals
57. Zendaya – Zendaya
58. Olly Murs – Right Place Right Time
59. Charli XCX – True Romance
60. Emmelie de Forest – Only Teardrops
61. Stooshe – London With The Lights On
62. Gabriella Aplin – English Rain
63. Noah and the Whale – Heart Of Nowhere
64. The National – Trouble Will Find Me
65. VV Brown – Samson & Delilah
66. Kelly Clarkson – Wrapped in Red
67. Eminem – Marshall Mathers LP 2
68. Rudimental – Home
69. Anna Calvi – One Breath
70. Loreen – Heal
71. Diana Vickers – Music To Make Boys Cry
72. Panic! At the Disco – Too Weird to Live, Too Rare to Die!
73. Tyler, The Creator – Wolf
74. Dido – Girl Who Got Away
75. Little Boots – Nocturnes
76. Goldfrapp – Tales of Us
77. Hurts – Exile
78. iamamiwhoami – bounty
79. Laura Marling – Once I Was an Eagle
80. Sigur Rós – Kveikur

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Sophie’s Choice, Alan J. Pakula, EUA (1982)

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Eu lembro. Fui uma criança com certa liberdade de ficar acordada até tarde nos finais de semana e prévias de feriados, assistia a esse filme há muito tempo atrás e minha mãe tinha pedido que me retirasse da sala pois o filme me era inapropriado na época, não pude conhecer o final da história. Aconteceu com outros milhões de filmes durante a minha infância. Esse tempo todo fui adiando o dia em que veria o filme por completo, o dia em que realmente o entenderia de verdade, queria guardá-lo, queria ler o livro primeiro, quem sabe. Mas comigo tudo é sempre tão aleatório e fora dos planos, comecei a ver “A Escolha de Sofia”. O desenrolar acontecia e eu ia ficando cada vez mais curiosa em descobrir do que se tratava essa expressão tão famosa que passei a vida ouvindo, sempre arrependida, lembrando com perda do dia em que minha mãe não me deixou terminar o filme. Cuidadosa em conhecer essa história que se tornou símbolo da existência humana. E quando descobrimos a tal “escolha”, quase não me dei conta. Hoje eu entendo que a escolha de Sofia não é somente a que nos foi apresentada literalmente, Sofia fez a “escolha de Sofia” em todos os momentos de sua desgraça, de sua vida, ali patenteados. Não só é dura a escolha como também é árdua a consequência. É um filme sobre a culpa, a angústia, a redenção, os temas que fazem os melhores dramas. Os flashbacks crus dos típicos e nunca defasados cenários holocaustas. As jogadas de enquadramento muito bem colocadas, como por exemplo as explosões de closes em Meryl Streep que está indubitavelmente maravilhosa e não, não seria redundância falar em sua primorosa atuação. Mery Streep está uma verdadeira força da natureza nesse filme, até entendo como muitos argumentam que ela tenha sido indicada e premiada injustamente em algumas ocasiões, mas nesta, devo corrobar, Oscar e Globo de Ouro merecidíssmos. Não é a toa que nos encantamos perdidamente por Sofia, assim como Nathan e Stingo, ficamos embasbacados por sua pureza, até descobrirmos seus segredos e uma certa “frieza” por trás de toda sua candidez e ainda assim nos encantamos de novo, nos enfeitiçamos ainda mais. São muitos os pontos que me levariam a discutir e expressar a estima que tive por esse filme, mas devo guardar para mim as sequelas que filmes bons sobre o Holocausto me causam.

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21 fatos para acabar com a disseminação preconceituosa e desinformada sobre o Bolsa Família

Sabemos que as pessoas têm uma socialização anterior à sua formação como homem, mulher e profissional. As pessoas costumam incorporar valores morais e culturais com os quais se identificam a partir da formação familiar, da escola, das crenças religiosas, da trajetória política, entre outras. Observo como estudante da área social e Assistente Social sempre em formação, que existe uma dificuldade, por várias determinações sociais, de alguns profissionais da área de não enfrentarem esses valores de forma teórica e crítica. Então, acabam reproduzindo no seu trabalho valores conservadores e moralistas. E isso acontece, às vezes, por alienação. Algumas pessoas nem mesmo percebem que possuem um modo de pensar conservador, que seu posicionamento não corresponde às conquistas históricas no campo de direitos. Essas pessoas acabam por reproduzir a lógica da dominação. Traduzem em respostas profissionais elementos do senso comum, presas a informação única e exclusiva da ‘grande mídia’, com convicções (até mesmo religiosas) que não condizem com a realidade da população usuária. Se as pessoas deixarem de considerar as determinações históricas, econômicas e políticas da relação do ser humano com, por exemplo: as drogas, a pobreza, o desemprego, etc. e atribuirem isso a uma questão de índole dos indivíduos, de escolha, isso acabaria moralizando a questão. E não cabe, principalmente a profissionais da área social, fazerem esse tipo de leitura moralizadora da sociedade, acredito que somos parte de uma categoria que possui um acervo teórico para olhar para a realidade e saber que o que a fundamenta não é a moral, mas a materialidade histórica.

Enfim, dito isso, gostaria de compartilhar alguns links de dados científicos e de pesquisas concretas sobre o Bolsa Família que comprovam que o Programa não se trata do que os questionadores e suas argumentações furados dizem por aí. Então amig@s, toda vez que se deparar com um desses “falaciadores”, joguem esses dados na cara do infeliz, acredito que os links relacionados abaixo barram todas os artifícios utilizados contra o programa até agora.

Antes de mais nada, procure saber os valores do benefício: http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/valores-dos-beneficios

01. IPEA: “O programa é um mecanismo importante de inclusão produtiva, pois são mais de 300 mil empreendedores no país que recebem o benefício, e para cada R$ 1,00 investido no Bolsa Família, há o incremento de R$ 1,44 no PIB do país”: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=17977

02. A avaliação de eficácia tem sido rigorosa, segundo relatório do Banco Mundial: http://econ.worldbank.org/external/default/main?pagePK=64165259&theSitePK=469372&piPK=64165421&menuPK=64166093&entityID=000094946_0309160409264

03. Artigo na The Economist: http://www.economist.com/node/10650663 (Mostra que 40% das brasileiras entre 25 e 29 anos ainda não têm filhos)

04. Cerca de 10 milhões de pessoas deixaram o Bolsa Família de 2003 a 2011: http://www.istoe.com.br/assuntos/editorial/detalhe/170230_OS+EMERGENTES+DO+BOLSA+FAMILIA

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/desistencia-do-bolsa-familia-chega-a-40.html

05. E pq será que ninguém se diz contra o “bolsa rico”?: “o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, Luiz Aubert Neto, usa uma frase perfeita para definir o que é a política de endividamento e juros altos que o Brasil segue – e é prisioneiro dela, em boa parte: – A política de juros altos dos últimos 17 anos representa a maior transferência de renda da história do capitalismo neste planeta: http://www.uges.org.br/scripts/?m=noticias&id=89

06. Crescimento populacional do Brasil é o menor já registrado: http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/10/26/crescimento-populacional-do-brasil-e-o-menor-ja-registrado

07. Empreendedorismo e Inclusão Produtiva (uma análise de perfil do microempreendedor individual beneficiário do Programa Bolsa Família; IPEA): http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/radar/130507_radar25_empreendedorismo_apresentacao.pdf

08. Imposto para grandes fortunas une Psol e FHC: http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/imposto-so-para-rico-une-psol-e-fhc/

09. Sonegação no Brasil: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/sonegacao-de-impostos-pode-chegar-a-r-415-bilhoes-em-2013

10. “A economia da sonegação (teorias e evidências empíricas)”; Siqueira & Ramos, 2005: http://www.scielo.br/pdf/rec/v9n3/v9n3a04.pdf

11. Pra quem diz que é só o PT > “Serra, na campanha de 2010, prometeu ampliar abrangência do Bolsa Família”: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,serra-promete-ampliar-abrangencia-do-bolsa-familia,615289,0.htm

12. Programa Bolsa Família é exemplo de erradicação de pobreza, afirma relatório da ONU:
http://www.onu.org.br/programa-bolsa-familia-e-exemplo-de-erradicacao-de-pobreza-afirma-relatorio-da-onu/

13. Efeitos sobre a mortalidade infantil: http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(13)60715-1/abstract (PS: Revista Lancet é a mais tradicional publicação científica na área da saúde)

14. Redução do trabalho infantil, segundo a Organização Internacional do Trabalho: http://www.ilo.org/global/about-the-ilo/media-centre/press-releases/WCMS_211472/lang–en/index.htm

15. Mais de 1,6 milhão de casas abriram mão do Bolsa Família: http://oglobo.globo.com/pais/bolsa-familia-mais-de-16-milhao-de-casas-abriram-mao-do-beneficio-8312947

16. Estudantes do Bolsa Família têm aprovação maior que a média e evasão escolar diminui: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/estudantes-do-bolsa-familia-tem-aprovacao-maior-que-a-media

17. Começa registro da frequência escolar dos beneficiários do Bolsa Família http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2013/04/01/comeca-registro-da-frequencia-escolar-dos-beneficiarios-do-bolsa-familia

18. Efeitos na diminuição da desigualdade social: http://www.ipc-undp.org/pub/IPCEvaluationNote1.pdf

19. Impostos têm maior impacto na redução da desigualdade do que o Bolsa Família (UnB e IPEA): http://bugarinmauricio.files.wordpress.com/2013/04/marcelo-medeiros-coelho-de-souza.pdf

20. Estudo do Ipea mostra que Bolsa Família não leva beneficiário à acomodação: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/33,65,33,3/2013/05/07/internas_economia,364728/estudo-do-ipea-mostra-que-bolsa-familia-nao-leva-beneficiario-a-acomodacao.shtml

21. “Bolsa Família e Outras Bolsas”, artigo do sociólogo Alberto Carlos Almeida, que faz uma comparação entre Brasil e Inglaterra, no jornal Valor Econômico. CHOQUEM: Os ingleses ganham salários muito mais altos que os brasileiros. E mesmo assim recebem muitos tipos de auxílio diferentes, que aqui não existem. Alguns:

– bolsa funeral (R$ 2100 para ajudar no enterro de seu familiar, incluindo pagar flores, caixão, uma viagem de algum parente para o velório etc.)
– bolsa aquecimento no inverno (média de R$ 2400 por mês para ajudar você a se aquecer no inverno)
– bolsa necessidades especiais (para deficientes ou idosos, até R$ 1500 por mês)
– bolsa cuidador de quem tem necessidades especiais (R$ 720 por mês)
– bolsa aquecimento por painéis solares (até R$ 3600 por mês)
– seguro desemprego (R$ 720 por mês)

E muitos outros outros.

http://www.senado.gov.br/noticias/senadonamidia/noticia.asp?n=840508&t=1

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As manifestações de junho de 2013 na cidade de São Paulo

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Marilena Chaui

Observações preliminares
O que segue não são reflexões sobre todas as manifestações ocorridas no país, mas focalizam principalmente as ocorridas na cidade de São Paulo, embora algumas palavras de ordem e algumas atitudes tenham sido comuns às manifestações de outras cidades (a forma da convocação, a questão da tarifa do transporte coletivo como ponto de partida, a desconfiança com relação à institucionalidade política como ponto de chegada) bem como o tratamento dado a elas pelos meios de comunicação (condenação inicial e celebração final, com criminalização dos “vândalos”) permitam algumas considerações mais gerais a título de conclusão.
O estopim das manifestações paulistanas foi o aumento da tarifa do transporte público e a ação contestatória da esquerda com o Movimento Passe Livre (MPL), cuja existência data de 2005 e é composto por militantes de partidos de esquerda. Em sua reivindicação especifica, o movimento foi vitorioso sob dois aspectos: 1. conseguiu a redução da tarifa; 2. definiu a questão do transporte público no plano dos direitos dos cidadãos e, portanto, afirmou o núcleo da prática democrática, qual seja, a criação e defesa de direitos por intermédio da explicitação (e não do ocultamento) dos conflitos sociais e políticos.

O inferno urbano
Não foram poucos os que, pelos meios de comunicação, exprimiram sua perplexidade diante das manifestações de junho de 2013: de onde vieram e por que vieram se os grandes problemas que sempre atormentaram o país (desemprego, inflação, violência urbana e no campo) estão com soluções bem encaminhadas e reina a estabilidade política? As perguntas são justas, mas a perplexidade, não, desde que  voltemos nosso olhar para um ponto que foi sempre o foco dos movimentos populares: a situação da vida urbana nas grandes metrópoles brasileiras.
Quais os traços mais marcantes da cidade de São Paulo nos últimos anos e que, sob certos aspectos, podem ser generalizados para as demais? Resumidamente, podemos dizer que são os seguintes:
– explosão do uso do automóvel individual: a mobilidade urbana se tornou quase impossível, ao mesmo tempo em que a cidade se estrutura com um sistema viário destinado aos carros individuais em detrimento do transporte coletivo, mas nem mesmo esse sistema é capaz de resolver o problema;
– explosão imobiliária com os grandes condomínios (verticais e horizontais) e shopping centers, que produzem uma densidade demográfica praticamente incontrolável além de não contar com uma redes de água, eletricidade e esgoto, os problemas sendo evidentes, por exemplo, na ocasião de chuvas;
– aumento da exclusão social e da desigualdade com a expulsão dos moradores das regiões favorecidas pelas grandes especulações imobiliárias e o conseqüente aumento das periferias carentes e de sua crescente distância com relação aos locais de trabalho, educação e serviços de saúde. (No caso de São Paulo, como aponta Hermínia Maricatto, deu-se a ocupação das regiões de mananciais, pondo em risco a saúde de toda a população); em resumo: degradação da vida cotidiana das camadas mais pobres da cidade;
– o transporte coletivo indecente, indigno e mortífero.  No caso de São Paulo, sabe-se que o programa do metrô previa a entrega de 450 k de vias até 1990; de fato, até 2013, o governo estadual apresenta 90 k. Além disso, a frota de trens metroviários não foi ampliada, está envelhecida e mal conservada; além da insuficiência quantitativa para atender a demanda, há atrasos constantes por quebra de trens e dos instrumentos de controle das operações. O mesmo pode ser dito dos trens da CPTU, que também são de responsabilidade do governo estadual. No caso do transporte por ônibus, sob responsabilidade municipal, um cartel domina completamente o setor sem prestar contas a ninguém: os ônibus são feitos com carrocerias destinadas a caminhões, portanto, feitos para transportar coisas e não pessoas; as frotas estão envelhecidas e quantitativamente defasadas com relação às necessidades da população, sobretudo as das periferias da cidade; as linhas são extremamente longas porque isso as torna mais lucrativas, de maneira que os passageiros são obrigados a trajetos absurdos, gastando horas para ir ao trabalho, às escolas, aos serviços de saúde e voltar para casa; não há linhas conectando pontos do centro da cidade nem linhas inter-bairros, de maneira que o uso do automóvel individual se torna quase inevitável para trajetos menores;
Em resumo: definidas e orientadas pelos imperativos dos interesses privados, as montadoras de veículos, empreiteiras da construção civil e empresas de transporte coletivo dominam a cidade sem assumir qualquer responsabilidade pública, impondo o que chamo de inferno urbano.

2. As manifestações paulistanas

A tradição de lutas
Recordando: A cidade de São Paulo (como várias das grandes cidades brasileiras) tem uma tradição histórica de revoltas populares contra as péssimas condições do transporte coletivo, isto é, a tradição do quebra-quebra quando, desesperados e enfurecidos, os cidadãos quebram e incendeiam ônibus e trens (à maneira do que faziam os operários no início da Segunda Revolução Industrial, quando usavam os tamancos de madeira – em francês, os sabots – para quebrar as máquinas – donde a palavra francesa sabotage, sabotagem). Entretanto, não foi este o caminho tomado pelas manifestações atuais e valeria a pena indagar por que. Talvez porque, vindo da esquerda, o MPL politiza explicitamente a contestação, em vez de politiza-la simbolicamente, como faz o quebra-quebra.
Recordando: Nas décadas de 1970 a 1990, as organizações de classe (sindicatos, associações, entidades) e os movimentos sociais e populares tiveram um papel político decisivo na implantação da democracia no Brasil pelos seguintes motivos: 1. introdução da ideia de direitos sociais, econômicos e culturais para além dos direitos civis liberais; 2. afirmação da capacidade auto-organizativa da sociedade; 3. introdução da prática da democracia participativa como condição da democracia representativa a ser efetivada pelos partidos políticos. Numa palavra: sindicatos, associações, entidades, movimentos sociais e movimentos populares eram políticos, valorizavam a política, propunham mudanças políticas e rumaram para a criação de partidos políticos como mediadores institucionais de suas demandas.
Isso quase desapareceu da cena histórica como efeito do neoliberalismo, que produziu: 1. fragmentação, terceirização e precarização do trabalho (tanto industrial como de serviços) dispersando a classe trabalhadora, que se vê diante do risco da perda de seus referenciais de identidade e de luta; 2. refluxo dos movimentos sociais e populares e sua substituição pelas ONGs, cuja lógica é distinta daquela que rege os movimentos sociais; 3. surgimento de uma nova classe trabalhadora heterogênea, fragmentada, ainda desorganizada e que por isso ainda não tem suas próprias formas de luta e não se apresenta no espaço público e que por isso mesmo é atraída e devorada por ideologias individualistas como a “teologia da prosperidade” (do pentecostalismo) e a ideologia do “empreendedorismo” (da classe média), que estimulam a competição, o isolamento e o conflito inter-pessoal, quebrando formas anteriores de sociabilidade solidária e de luta coletiva.
Erguendo-se contra os efeitos do inferno urbano, as manifestações guardaram da tradição dos movimentos sociais e populares a organização horizontal, sem distinção hierárquica entre dirigentes e dirigidos. Mas, diversamente dos movimentos sociais e populares,  tiveram uma forma de convocação que as transformou num movimento de massa, com milhares de manifestantes nas ruas.

O pensamento mágico
A convocação foi feita por meio das redes sociais. Apesar da celebração  desse tipo de convocação, que derruba o monopólio dos meios de comunicação de massa, entretanto é preciso mencionar alguns problemas postos pelo uso dessas redes, que possui algumas características que o aproximam dos procedimentos da midia:

  1. é indiferenciada: poderia ser para um show da Madonna, para uma maratona esportiva, etc. e calhou ser por causa da tarifa do transporte público;
  2. tem a forma de um evento, ou seja, é pontual, sem passado, sem futuro e sem saldo organizativo porque, embora tenha partido de um movimento social (o MPL), à medida que cresceu passou à recusa gradativa da estrutura de um movimento social para se tornar um espetáculo de massa. (Dois exemplos confirmam isso: a ocupação de Wall Street pelos jovens de Nova York e que, antes de se dissolver, se tornou um ponto de atração turística para os que visitavam a cidade; e o caso do Egito, mais triste, pois com o fato das manifestações permanecerem como eventos e não se tornarem uma forma de auto-organização política da sociedade, deram ocasião para que os poderes existentes passassem de uma ditadura para outra);
  3. assume gradativamente uma dimensão mágica, cuja origem se encontra na natureza do próprio instrumento tecnológico empregado, pois este opera magicamente, uma vez que os usuários são, exatamente, usuários e, portanto, não possuem o controle técnico e econômico do instrumento que usam – ou seja, deste ponto de vista, encontram-se na mesma situação que os receptores dos meios de comunicação de massa. A dimensão é mágica porque, assim como basta apertar um botão para tudo aparecer, assim também se acredita que basta querer para fazer acontecer. Ora, além da ausência de controle real sobre o instrumento, a magia repõe um dos recursos mais profundos da sociedade de consumo difundida pelos meios de comunicação, qual seja, a ideia de satisfação imediata do desejo, sem qualquer mediação;
  4. a recusa das mediações institucionais indica que estamos diante de uma ação própria da sociedade de massa, portanto,  indiferente à determinação de classe social; ou seja, no caso presente, ao se apresentar como uma ação da juventude, o movimento assume a aparência de que o universo dos manifestantes é homogêneo ou de massa, ainda que, efetivamente, seja heterogêneo do ponto de vista econômico, social e político, bastando lembrar que as manifestações das periferias não foram apenas de “juventude” nem de classe média, mas de jovens, adultos, crianças e idosos da classe trabalhadora.

No ponto de chegada, as manifestações introduziram o tema da corrupção política e a recusa dos partidos políticos. Sabemos que o MPL é constituído por militantes de vários partidos de esquerda e, para assegurar a unidade do movimento, evitou a referência aos partidos de origem. Por isso foi às ruas sem definir-se como expressão de partidos políticos e, em São Paulo, quando, na comemoração da vitória, os militantes partidários compareceram às ruas foram execrados, espancados, e expulsos como oportunistas – sofreram repressão violenta por parte da massa. Ou seja, alguns manifestantes praticaram sobre outros a violência que condenaram na polícia,
A crítica às instituições políticas não é infundada, mas possui base concreta:
a)    no plano conjuntural: o inferno urbano é, efetivamente, responsabilidade dos partidos políticos governantes;
b)    no plano estrutural: no Brasil, sociedade autoritária e excludente, os partidos políticos tendem a ser clubes privados de oligarquias locais, que usam o público para seus interesses privados; a qualidade dos legislativos nos três níveis é a mais baixa possível e a corrupção é estrutural; como consequência,  a relação de representação não se concretiza porque vigoram relações de favor, clientela, tutela e cooptação;
c)    a crítica ao PT:  de ter abandonado a relação com aquilo que determinou seu nascimento e crescimento, isto é, o campo das lutas sociais auto-organizadas e ter-se transformado numa máquina burocrática e eleitoral (como têm dito e escrito muitos militantes ao longo dos últimos 20 anos).
Isso, porém, embora explique a recusa, não significa que esta tenha sido motivada pela clara compreensão do problema por parte dos manifestantes. De fato, a maioria deles não exprime em suas falas uma análise das causas desse modo de funcionamento dos partidos políticos, qual seja, a estrutura autoritária da sociedade brasileira, de um lado, e, de outro, o sistema político-partidário montado pelos casuísmos da ditadura. Em lugar de lutar por uma reforma política, boa parte dos manifestantes recusa a legitimidade do partido político como instituição republicana e democrática. Assim, sob este aspecto, apesar do uso das redes sociais e da crítica aos meios de comunicação, a maioria dos manifestantes aderiu à mensagem ideológica difundida anos a fio pelos meios de comunicação de que os partidos são corruptos por essência. Como se sabe, essa posição dos meios de comunicação tem a finalidade de lhes conferir o monopólio das funções do espaço público, como se não fossem empresas capitalistas movidas por interesses privados. Dessa maneira, a recusa dos meios de comunicação e as críticas a eles endereçadas pelos manifestantes não impediram que grande parte deles aderisse à perspectiva da classe média conservadora difundida pela mídia a respeito da ética. De fato, a maioria dos manifestantes, reproduzindo a linguagem midiática, falou de ética na política (ou seja, a transposição dos valores do espaço privado para o espaço público), quando, na verdade, se trataria de afirmar a ética da política (isto é, valores propriamente públicos), ética que não depende das virtudes morais das pessoas privadas dos políticos e sim da qualidade das instituições públicas enquanto instituições republicanas. A ética da política, no nosso caso, depende de uma profunda reforma política que crie instituições democráticas republicanas e destrua de uma vez por todas a estrutura deixada pela ditadura, que força os partidos políticos a coalizões absurdas se quiserem governar, coalizões que comprometem o sentido e a finalidade de seus programas e abrem as comportas para a corrupção. Em lugar da ideologia conservadora e midiática de que, por definição e por essência, a política é corrupta, trata-se de promover uma prática inovadora capaz de criar instituições públicas que impeçam a corrupção, garantam a participação, a representação e o controle dos interesses públicos e dos direitos pelos cidadãos. Numa palavra, uma invenção democrática.
Ora, ao entrar em cena o pensamento mágico, os manifestantes deixam de lado que, até que uma nova forma da política seja criada num futuro distante quando, talvez, a política se realizará sem partidos, por enquanto, numa república democrática (ao contrário de uma ditadura) ninguém governa sem um partido, pois é este que cria e prepara quadros para as funções governamentais para concretização dos objetivos e das metas dos governantes eleitos. Bastaria que os manifestantes se informassem sobre o governo Collor para entender isso: Collor partiu das mesmas afirmações feitas por uma parte dos manifestantes (partido político é coisa de “marajá” e é corrupto) e se apresentou como um homem sem partido. Resultado: a) não teve quadros para montar o governo, nem diretrizes e metas coerentes e b) deu feição autocrática ao governo, isto é, “o governo sou eu”. Deu no que deu.
Além disso, parte dos manifestantes está adotando a posição ideológica típica da classe média, que aspira por governos sem mediações institucionais e, portanto, ditatoriais. Eis porque surge a afirmação de muitos manifestantes, enrolados na bandeira nacional, de que “meu partido é meu país”, ignorando, talvez, que essa foi uma das afirmações fundamentais do nazismo contra os partidos políticos.
Assim, em lugar de inventar uma nova política, de ir rumo a uma invenção democrática, o pensamento mágico de grande parte dos manifestantes se ergueu contra a política, reduzida à figura da corrupção. Historicamente, sabemos onde isso foi dar. E por isso não nos devem surpreender, ainda que devam nos alarmar, as imagens de jovens militantes de partidos e movimentos sociais de esquerda espancados e ensanguentados durante a manifestação de comemoração da vitória do MPL. Já vimos essas imagens na Itália dos anos 1920, na Alemanha dos anos 1930 e no Brasil dos anos 1960-1970.

Conclusão provisória
Do ponto de vista simbólico, as manifestações possuem um sentido importante que contrabalança os problemas aqui mencionados.
Não se trata, como se ouviu dizer nos meios de comunicação, que finalmente os jovens abandonaram a “bolha” do condomínio e do shopping center e decidiram ocupar as ruas (já podemos prever o número de novelas e mini-séries que usarão essa ideia para incrementar o programa High School Brasil, da Rede Globo). Simbolicamente, malgrado eles próprios e malgrado suas afirmações explícitas contra a política, os manifestantes realizaram um evento político: disseram não ao que aí está, contestando as ações dos poderes executivos municipais, estaduais e federal, assim como as do poder legislativo nos três níveis. Praticando a tradição do humor corrosivo que percorre as ruas, modificaram o sentido corriqueiro das palavras e do discurso conservador por meio da inversão das significações e da irreverência, indicaram uma nova possibilidade de práxis política, uma brecha para repensar o poder, como escreveu um filósofo político sobre os acontecimentos de maio de 1968 na Europa.
Justamente porque uma nova possibilidade política está aberta, algumas observações merecem ser feitas para que fiquemos alertas aos riscos de apropriação e destruição dessa possibilidade pela direita conservadora e reacionária.
Comecemos por uma obviedade: como as manifestações são de massa (de juventude, como propala a mídia) e não aparecem em sua determinação de classe social, que, entretanto, é clara na composição social das manifestações das periferias paulistanas, é preciso lembrar que uma parte dos manifestantes não vive nas periferias das cidades, não experimenta a violência do cotidiano experimentada pela outra parte dos manifestantes. Com isso, podemos fazer algumas indagações. Por exemplo: os jovens manifestantes de classe média que vivem nos condomínios têm ideia de que suas famílias também são responsáveis pelo inferno urbano (o aumento da densidade demográfica dos bairros e a expulsão dos moradores populares para as periferias distantes e carentes)? Os jovens manifestantes de classe média que, no dia em que fizeram 18 anos, ganharam de presente um automóvel (ou estão na expectativa do presente quando completarem essa idade), têm ideia de que também são responsáveis pelo inferno urbano? Não é paradoxal, então, que se ponham a lutar contra aquilo que é resultado de sua própria ação (isto é, de suas famílias), mas atribuindo tudo isso à política corrupta, como é típico da classe média?
Essas indagações não são gratuitas nem expressão de má-vontade a respeito das manifestações de 2013. Elas têm um motivo político e um lastro histórico.
Motivo político: assinalamos anteriormente o risco de apropriação das manifestações rumo ao conservadorismo e ao autoritarismo. Só será possível evitar esse risco se os jovens manifestantes levarem em conta algumas perguntas:

  1. estão dispostos a lutar contra as ações que causam o inferno urbano e, portanto, enfrentar pra valer o poder do capital de montadoras, empreiteiras e cartéis de transporte que, como todo sabem não se relacionam  pacificamente (para dizer o mínimo) com demandas sociais?
  2.  estão dispostos a abandonar a suposição de que a política se faz magicamente sem mediações institucionais?
  3. estão dispostos a se engajar na luta pela reforma política, a fim de inventar uma nova política, libertária, democrática, republicana, participativa?
  4. estão dispostos a não reduzir sua participação a um evento pontual e efêmero e a não se deixar seduzir pela imagem que deles querem produzir os meios de comunicação?

Lastro histórico: quando Luiza Erundina, partindo das demandas dos movimentos populares e dos compromissos com a justiça social, propôs a Tarifa Zero para o transporte público de São Paulo, ela explicou à sociedade que a tarifa precisava ser subsidiada pela Prefeitura e que ela não faria o subsídio implicar em cortes nos orçamentos de educação, saúde, moradia e assistência social, isto é, dos programas sociais prioritários de seu governo. Antes de propor a Tarifa Zero, ela aumentou em 500% a frota da CMTC (explicação para os jovens: CMTC era a antiga empresa municipal de transporte) e forçou os empresários privados a renovar sua frota. Depois disso, em inúmeras audiências públicas, ela apresentou todos os dados e planilhas da CMTC e obrigou os empresários das companhias privadas de transporte coletivo a fazer o mesmo, de maneira que a sociedade ficou plenamente informada quanto aos recursos que seriam necessários para o subsídio. Ela propôs, então, que o subsídio viesse de uma mudança tributária: o IPTU progressivo, isto é, o imposto predial seria aumentado para os imóveis dos mais ricos, que contribuiriam para o subsídio juntamente com outros recursos da Prefeitura. Na medida que os mais ricos, como pessoas privadas, têm serviçais domésticos que usam o transporte público, e, como empresários, têm funcionários usuários desse mesmo transporte, uma forma de realizar a transferência de renda, que é base da justiça social, seria exatamente fazer com que uma parte do subsídio viesse do novo IPTU. Os jovens manifestantes de hoje desconhecem o que se passou: comerciantes fecharam ruas inteiras, empresários ameaçaram lockout das empresas, nos “bairros nobres” foram feitas  manifestações contra o “totalitarismo comunista” da prefeita e os poderosos da cidade “negociaram” com os vereadores a não aprovação do projeto de lei. A Tarifa Zero não foi implantada. Discutida na forma de democracia participativa, apresentada com lisura e ética política, sem qualquer mancha possível de corrupção, a proposta foi rejeitada. Esse lastro histórico mostra o limite do pensamento mágico, pois não basta ausência de corrupção, como imaginam os manifestantes, para que tudo aconteça imediatamente da melhor maneira e como se deseja.
Cabe uma última observação: se não levarem em consideração a divisão social das classes, isto é, os conflitos de interesses e de poderes econômico-sociais na sociedade, os manifestantes não compreenderão o campo econômico-político no qual estão se movendo quando imaginam estar agindo fora da política e contra ela. Entre os vários riscos dessa imaginação, convém lembrar aos manifestantes que se situam à esquerda que, se não tiverem autonomia política e se não a defenderem com muita garra, poderão, no Brasil, colocar água no moinho dos mesmos poderes econômicos e políticos que organizaram grandes manifestações de direita na Venezuela, na Bolívia, no Chile, no Peru, no Uruguai e na Argentina. E a mídia, penhorada, agradecerá pelos altos índices de audiência.   

Marilena Chaui

DUAS PALAVRAS: EPIC WIN

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Os melhores de 2012

Não foi fácil, 2012 foi o ano dos lançamentos imbatíveis, seguem as listas dos melhores álbuns e eps (nacionais e internacionais) com continuação em meu perfil do #rateyourmusic. Espero ter agradado. -n

Álbuns (Internacional)
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50. Tori Amos – Gold Dust
49. MDNR – Feel Me Diamonds
48. Crystal Castles – (III)
47. Mumford and Sons – Babel
46. Sigur Rós – Valtari
45. Hot Chip – In Our Heads
44. M. Ward – A Wasteland Companion
43. Passion Pit – Gossamer
42. Alphabeat – Express Non Stop
41. Delilah – From the Roots Up
40. Karmin – Hello
39. Halestorm – The Strange Case Of…
38. Regina Spektor – What We Saw from the Cheap Seats
37. Paul McCartney – Kisses On The Bottom
36. David Byrne and St. Vincent – Love This Giant
35. Marina And The Diamonds – Electra Heart
34. Lana Del Rey – Born To Die
33. Frank Ocean – Channel Orange
32. Kreayshawn – Somethin’ Bout Kreay
31. Cat Power – Sun
30. Amanda Palmer – Theatre Is Evil
29. No Doubt – Push and Shove
28. Scissor Sisters – Magic Hour
27. Sleigh Bells – Reign of Terror
26. Dragonette – Bodyparts
25. Loreen – Heal
24. Noisettes – Contact
23. Christina Aguilera – Lotus
22. Animal Collective – Centipede Hz
21. Miike Snow – Happy to You
20. Taylor Swift – Red
19. Purity Ring – Shrines
18. Antony and The Johnsons – Cut the World
17. Björk – Bastards
16. Lianne La Havas – Is Your Love Big Enough?
15. Bat For Lashes – The Haunted Man
14. Best Coast – The Only Place
13. iamamiwhoami – kin
12. Azealia Banks – Fantasea
11. Ellie Goulding – Halcyon
10. Norah Jones – …Little Broken Hearts
09. Imagine Dragons – Night Visions
08. Beach House – Bloom
07. Fiona Apple – The Idler Wheel Is Wiser Than the Driver of the Screw and Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do
06. Die Antwoord – Ten$ion
05. Gossip – A Joyful Noise
04. P!nk – The Truth About Love
03. Jessie Ware – Devotion
02. Grimes – Visions
01. Garbage – Not Your Kind Of People

Continuação: http://rateyourmusic.com/list/fuckyeahcarol/albuns_2012

EPs (Internacional)
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01. Diplo – Express Yourself
02. Sky Ferreira – Ghost
03. Azealia Banks – 1991
04. The Pretty Reckless – Hit Me Like A Man
05. Solange – True
06. Icona Pop – Iconic
07. Katy B – Danger
08. Foxes – Warrior
09. Frank + Derol – Frank + Derol
10. Sara Bareilles – Once Upon Another Time
11. Iggy Azalea – Glory
12. Kay – Say What You Want
13. Kate Nash – Death Proof
14. Dawn Richard – Whiteout
15. Ke$ha – Deconstructed
16. Kat Graham – Against the Wall
17. Dangerous Muse – Red
18. Alexz Johnson – Skipping Stone
19. Placebo – B3
20. Dum Dum Girls – End of Daze
21. Kelly Clarkson – The Smoakstack Sessions Vol. 2
22. Charlotte Sometimes – Circus Head
23. Skylar Grey – The Buried Sessions of Skylar Grey
24. Rachel Crow – Rachel Crow
25. Sarah Solovay – Superhuman
26. Alex Band – After The Storm

http://rateyourmusic.com/list/fuckyeahcarol/eps_de_2012

Álbuns (Nacional)
céu

01. CéU – Caravana Sereia Bloom
02. Tulipa Ruiz – Tudo Tanto
03. Ana Cañas – Volta
04. Caetano Veloso – Abraçaço
05. Djavan – Rua dos Amores
06. Isadora – A eletrônica e musical figuração das coisas
07. Luisa Mandou um Beijo – Luisa Mandou um Beijo
08. Banda UÓ – Motel
09. Thiago Pethit – Estrela Decadente
10. Bonde do Rolê – Tropical/Bacanal
11. Gaby Amarantos – Treme
12. Nando Reis – Sei
13. Rafael Castro – Lembra?
14. Vivendo do Ócio – O Pensamento é um Imã
15. Letuce – Manja Perene
16. Fresno – Infinito
17. Marina Wisnik – Na Rua Agora
18. qinhO – O Tempo Soa
19. Nina Becker & Marcelo Callado – Gambido Budapeste
20. Joana Flor – Viva
21. Tom Zé – Tropicália Lixo Lógico

http://rateyourmusic.com/list/fuckyeahcarol/albuns_nacionais_2012

EPs (Nacional)
ludov-10-anos
01. Ludov – O Paraíso
02. Agridoce – Agridoce
03. Silva – Silva
04. Sandy – Princípios, Meios e Fins
05. Céu e Marcelo Camelo Interpretam Caetano
06. Luis Aranha – Luis Aranha

http://rateyourmusic.com/list/fuckyeahcarol/eps_nacionais_de_2012/

Trilha Sonora (Original Motion Picture Soundtrack) de 2012

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The Hunger Games (Songs from District 12)
The Perks of Being a Wallflower
Frankenweenie Unleashed
The Twilight Saga – Breaking Dawn Part 2
Danny Elfman – Dark Shadows
James Newton Howard – Snow White & the Huntsman
Patrick Doyle – Brave
Silver Linning Playbook
Pitch Perfect
Avengers Assemble
Hans Zimmer – The Dark Knight Rises
James Horner – The Amazing Spider Man
Alan Menken – Mirror Mirror
Sparkle

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