Ela – Her, Spike Jonke [2013]

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Spike Jonze desempenhou um ótimo trabalho em levar às telas uma temática tão atual e ainda pouco retratada, com um roteiro sensível e original que acredito ser este o filme mais marcante de 2013.

Theodore (Joaquin Phoenix) é uma sujeito solitário, triste e decadente socialmente, vivendo em uma Los Angeles do futuro, ele compra um sistema operacional (voz deliciosa da Scarlett Johansson) que se comunica com ele oralmente, é aí que descobre-se apaixonado pela voz por trás do programa e dá-se início um relacionamento amoroso com todos os encargos que uma relação ‘normal’ pode ter: flerte, sexo, brigas, ciúme, traição.

Não se trata de um filme sobre tecnologia, o desempenho do sistema operacional no filme é até meio irreal, por se autodesenvolver de uma forma assustadora. É na verdade um filme que se preocupa em mostrar as novas sensibilidades humanas advindas da pós-modernidade, o individualismo, a solidão, a ansiedade, os relacionamentos incomuns e pitorescos que já fazem parte de uma cultura.

O amor humano pelo software, retratado no filme, muito me lembra os relacionamentos a distância, as pessoas estão cercadas de gente mas completamente sozinhas, então encontram uma forma de satisfazer seus complexos em uma pessoa que mora longe. zzzzz Parece ridículo mas é mais comum do que você imagina, é a necessidade do ser humano contemporâneo de provar para o mundo que não é tão solitário e enganar a si mesmo.

O amor entre Samantha (Johansson) e Theodore (Phoenix) me cativou e realmente me fez levar a sério, acho que a Johansson ajudou kkkk como não se apaixonar? Samantha é inteligente, bem humorada, compreensiva, sexy, articulada, vindo como uma cura para a fase da vida em que Theodore se encontra, tentando esquecer sua ex-esposa. A direção de arte linda e o figurino hipster combinaram tão bem com a melancolia do filme, o brilho no olhar do Joaquin fez todo o sentido, ele não foi indicado a melhor ator, como eu esperava que fosse, uma pena, se a Sandra foi indicada por Gravidade, ele merecia até mais, e está um fofo, que ator lindo vem amadurecendo esse Phoenix.

Entretanto, trazendo essa ideia para o mundo real é triste e ridículo pensar que isso já está acontecendo, é o retrato da decadência da sociedade contemporânea, os rolos a distância são uma palha do que está por vir. Interessante como Theodoro reage ao descobrir que Samantha não era o que realmente aparentava ser, como na verdade ele não a conhecia de verdade, me fez lembrar muitos colegas que namoravam à distância aos 13, 14, 15 anos de idade e depois de levar como puderam, acabaram bastante decepcionados quando passaram a namorar pessoalmente. Também me fez lembrar que o namoro de shopping, as rodinhas de happy hour (mesmo regadas a smartphones incansáveis), a sala de aula que não dispensa a relação aluno-professor, a reunião multiprofissional, o olho no olho, ou seja, os relacionamentos vividos na dor e na delícia do dia-a-dia ainda são os mais consistentes em um mundo cada dia mais individual.

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Sobre Carolina Alves

Feminista, cinéfila, bookaholic, Assistente Social, mestranda em Sociologia, desbravadora insaciável dos estudos de gênero, vive dando sua opinião não-requisitada sobre música, tv, cinema, política, literatura, vida alheia e futilidades acaloradas via twitter. @fuckyeahcarol
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