O Lobo de Wall Street – The Wolf of Wall Street, Martin Scorsese [2013]

Imagem

Esse filme me causou mais repulsa que Pink Flamingos e Centopeia Humana foram capazes, é uma crítica ao retrato depravado de machos que se acham os donos do mundo e levam um estilo de vida regado a infantilidades, sexo mascu, mulheres como troféus, drogas e ganância.

É o quinto filme da parceria Leonardo DiCaprio e Martin Scorsese e o que soou melhor dentre os já realizados, se consolidando como o ápice do trabalho conjunto deles e tendo minha torcida para o prêmio de melhor filme indicado ao Oscar pelo conjunto da obra: direção de Scorsese + produção do Leo + roteiro de Terence Winter, mas em sério risco de ser o injustiçado por causar efeitos errados ao público.

Demorei a cair nas graças do filme, no início eu não conseguia rir, pois fiquei embasbacada com a forma absurda como o personagem do DiCaprio encarava mulheres apenas como objetos com a única utilidade de satisfazê-lo sexualmente. Bem, depois a piada se encaixa e o filme deixa claro que estavam retratando de forma satírica pessoas desprezíveis que mais se assemelham a piadas e logo você passa a “rir dos personagens” e não “rir com os personagens”, o que obviamente não vai servir para muitos babacas de caráter falho que cairão nas graças dos operadores trambiqueiros da bolsa de valores e logo se identificarão com o filme pelos motivos errados, considerando Belfort um verdadeiro herói.

Leo DiCaprio já demonstra competência e mérito para ser oscarizado há tanto tempo que soa redundante dizer que dessa vez a espera acabou, que ele finalmente vai levar o prêmio de melhor ator e não vai deixar de agradecer à Kate (hahaha). Ok, ele está melhor a cada filme e se supera neste como nunca, não é o meu preferido para o prêmio, mas de forma alguma me oponho a dar o prêmio a DiCaprio. Ele já havia provado seu dom em interpretar um inescrupuloso como Calvin em “Django Livre” e um cínico como Abagnale em “Prenda-me se for capaz”, já com Jordan Belfort, ele está totalmente desprovido de dignidade, uma verdadeira escória, junto de Jonah Hill e mais uma palhinha de roubar a cena do queridão-do-momento Matthew McCounaghey, formando um excesso nojento e repugnante de testosterona.

Mas o melhor do filme é que é muito gratificante saber que Martin Scorsese aos 70 e poucos continua fonte de talento inesgotável e voltando em sua melhor forma, o Leonardo é só um detalhe.

Anúncios

Sobre Carolina Alves

Feminista, cinéfila, bookaholic, Assistente Social, mestranda em Sociologia, desbravadora insaciável dos estudos de gênero, vive dando sua opinião não-requisitada sobre música, tv, cinema, política, literatura, vida alheia e futilidades acaloradas via twitter. @fuckyeahcarol
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s