Sophie’s Choice, Alan J. Pakula, EUA (1982)

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Eu lembro. Fui uma criança com certa liberdade de ficar acordada até tarde nos finais de semana e prévias de feriados, assistia a esse filme há muito tempo atrás e minha mãe tinha pedido que me retirasse da sala pois o filme me era inapropriado na época, não pude conhecer o final da história. Aconteceu com outros milhões de filmes durante a minha infância. Esse tempo todo fui adiando o dia em que veria o filme por completo, o dia em que realmente o entenderia de verdade, queria guardá-lo, queria ler o livro primeiro, quem sabe. Mas comigo tudo é sempre tão aleatório e fora dos planos, comecei a ver “A Escolha de Sofia”. O desenrolar acontecia e eu ia ficando cada vez mais curiosa em descobrir do que se tratava essa expressão tão famosa que passei a vida ouvindo, sempre arrependida, lembrando com perda do dia em que minha mãe não me deixou terminar o filme. Cuidadosa em conhecer essa história que se tornou símbolo da existência humana. E quando descobrimos a tal “escolha”, quase não me dei conta. Hoje eu entendo que a escolha de Sofia não é somente a que nos foi apresentada literalmente, Sofia fez a “escolha de Sofia” em todos os momentos de sua desgraça, de sua vida, ali patenteados. Não só é dura a escolha como também é árdua a consequência. É um filme sobre a culpa, a angústia, a redenção, os temas que fazem os melhores dramas. Os flashbacks crus dos típicos e nunca defasados cenários holocaustas. As jogadas de enquadramento muito bem colocadas, como por exemplo as explosões de closes em Meryl Streep que está indubitavelmente maravilhosa e não, não seria redundância falar em sua primorosa atuação. Mery Streep está uma verdadeira força da natureza nesse filme, até entendo como muitos argumentam que ela tenha sido indicada e premiada injustamente em algumas ocasiões, mas nesta, devo corrobar, Oscar e Globo de Ouro merecidíssmos. Não é a toa que nos encantamos perdidamente por Sofia, assim como Nathan e Stingo, ficamos embasbacados por sua pureza, até descobrirmos seus segredos e uma certa “frieza” por trás de toda sua candidez e ainda assim nos encantamos de novo, nos enfeitiçamos ainda mais. São muitos os pontos que me levariam a discutir e expressar a estima que tive por esse filme, mas devo guardar para mim as sequelas que filmes bons sobre o Holocausto me causam.

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Sobre Carolina Alves

Feminista, cinéfila, bookaholic, Assistente Social, mestranda em Sociologia, desbravadora insaciável dos estudos de gênero, vive dando sua opinião não-requisitada sobre música, tv, cinema, política, literatura, vida alheia e futilidades acaloradas via twitter. @fuckyeahcarol
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